A Comissão de Cidadania recebeu, nessa quarta, representantes da Federação Pernambucana de Futebol, Polícia Militar, Sport e Santa Cruz, para buscar respostas sobre a confusão na partida entre os dois times, no dia sete de março. O jogo foi realizado na sede do Sport, a Ilha do Retiro, na Zona Oeste do Recife. Durante o intervalo, um tumulto na arquibancada dos visitantes deixou 63 pessoas feridas. Uma das hipóteses levantadas aponta que tudo começou depois que um torcedor tentou acender um sinalizador, que é proibido nos estádios. Nesse momento, a PM realizou uma abordagem, o que teria provocado o tumulto. Mas o tenente-coronel Cézar Moraes, comandante do Batalhão de Choque, afirma que o episódio não foi decorrente da ação militar. “Na verdade, a ação do Batalhão não causou qualquer tumulto. A abordagem, em si, ela foi muito tranquila, em relação ao policial com o infrator. Então insisto em dizer que não foi essa ação que ocasionou o episódio em si. Alguns torcedores desceram de forma espontânea. Termina que um bate no outro, e aí acontece o efeito avalanche, o efeito dominó, que foi o que nós vimos.”
Os feridos foram retirados das arquibancadas e receberam atendimento nas margens do gramado. Os casos mais graves, como uma fratura exposta e traumatismo craniano, foram encaminhados para hospitais próximos. Houve confronto entre policiais e torcedores, que ameaçaram invadir o campo. Mas o segundo tempo da partida foi iniciado. O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, explicou porque o jogo não foi interrompido: “O encerramento da partida, ou suspensão, ele faria com que todo o público – 16 mil pessoas – saísse à rua. Isso gera um congestionamento em toda a circunferência do estádio e nas artérias que dão acesso, o que impede a locomoção livre de ambulâncias e de policiamento. E, segundo, o fato de colocar todo o público na rua poderia gerar novos incidentes.”
O presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, também compareceu à reunião. Ele defendeu a criação de um contingente policial preparado para atender grandes eventos, e declarou que o espaço destinado à torcida tricolor no jogo não era suficiente para o volume de pessoas. O gerente de segurança do Sport, Romero Ribeiro, afirmou que o clube segue um plano de ação aprovado pela Federação Pernambucana de Futebol, e as ações de segurança envolvem vigilantes particulares, bombeiros, brigadistas, Polícias Civil e Militar, além do Poder Judiciário. Após as explicações apresentadas, o presidente da Comissão de Cidadania, deputado Edilson Silva, do PSOL, adiantou que vai levar o caso ao Ministério Público de Pernambuco: “O Comando da Polícia Militar entende que não foi responsabilidade deles aquela avalanche que teve no estádio. Isso, obviamente, vai ter que ter um inquérito, tanto no âmbito da Polícia Militar quanto a partir do Ministério Público. A gente vai pegar esses dados para fazer a nossa instrução de pressionar o Ministério Público, para que a gente encontre algum nível de ajustamento de conduta.”
Também participaram da reunião os deputados Bispo Ossésio Silva, do PRB, e Socorro Pimentel, do PSL. A Comissão de Cidadania ainda deve ouvir a versão das vítimas da confusão na partida, além de advogados e torcedores que estavam presentes. A data para esse encontro ainda não foi definida.
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